A FORMAÇÃO DOCENTE NO BRASIL: DESAFIOS E POSSIBILIDADES PARA O PROFESSOR NO ENSINO SUPERIOR
Jorge Antonio Lima de Jesus
Renato Moreira Silva
Jessica Kerolaynne da Silva Neves
Roberto Santiago Ferreira
RESUMO: As transformações sociais ocorridas nas últimas décadas têm causado mudanças na formação docente no país, principalmente, para o professor que vai atuar no Ensino Superior, considerando que uma das exigências para este nível, é o professor trabalhar com o tripé: ensino, pesquisa e extensão. Assim, este artigo procura realizar uma reflexão acerca da formação docente no Brasil, com o propósito de apresentar o que é ser professor no ensino superior (1), a importância do labor do professor (2), os desafios e possibilidades deste perfil profissional no ensino superior (3) e a gestão docente em sala de aula como variáveis deste percurso para a qualidade da educação (4). A metodologia utilizada foi a pesquisa exploratória de cunho bibliográfico e documental. Compreende-se que o Ensino Superior está permeado de desafios com o novo modelo de sociedade, contudo, por meio da reflexão e ação docente disposta a transformações torna-se possível garantir os primeiros passos para a proposição de melhorias, minimizando as lacunas desta etapa do ensino brasileiro, como a precarização das relações e condições de trabalho na instituição de ensino superior e a falta de recursos públicos para suprir as demandas profissionais e institucionais.
Palavras-chave: Ensino Superior; Formação Docente; Perfil Profissional; Brasil.
INTRODUÇÃO
A temática da formação de professores é objeto cotidiano de vários debates no Brasil, não somente no meio universitário, mas também nas escolas da Educação Básica, pelo menos uma vez ao ano, quando as mesmas fazem a “jornada pedagógica” para iniciar o ano letivo; ainda se fala desta formação por meio das constantes greves de professores nos noticiários da mídia nacional. Os resultados de avaliações dos processos de aprendizagem em diversos níveis, como o Exame Nacional do Ensino Médio – Enem e o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) que avalia o rendimento dos concluintes dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares dos cursos, sob a supervisão do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Assim, as modalidades de ensino colocam sobre a profissão docente uma espécie de lupa de observação, gerando questionamentos e interesses de diferentes setores da sociedade sobre a aprendizagem no país.
O século XXI, desde seu início tem sido marcado por grandes mudanças e transformações sociais, desde a modernização das tecnologias da informação e da comunicação – TICS, às ocorridas com celeridade no meio digital informacional nas últimas décadas que têm repercutido nas diversas esferas da sociedade e do mundo globalizado, afetando diretamente todos os níveis de Educação. Especificamente no Ensino Superior, essas transformações significam novos desafios frente ao docente e às Instituições de Ensino Superior - IES, tendo em vista este novo modelo de sociedade, fluida, reflexiva, tecnológica e veloz.
Com base em leituras acerca da temática e estudos vivenciados e refletidos na atuação docente no ensino superior nos últimos anos e a partir dos cursos de Formação de Professores ministrados para a Rede Municipal de Ensino de alguns municípios paraenses, o objetivo deste estudo configurou-se em trazer à reflexão, descrever e compreender os desafios e possibilidades da formação docente para o ensino superior. Quem é este professor que está atuando nas universidades, a importância do trabalho do professor na formação de novas mentalidades; quais os desafios encontrados cotidianamente e as possibilidades desveladas por este perfil profissional no ensino superior, como as mais variadas ações de gestão da sala de aula para uma educação de qualidade no Brasil.
Desse modo, um dos objetivo da pesquisa apresentada neste artigo foi o de contribuir com à reflexão sobre o processo de formação de professores, a partir das questões do que é “ser professor no ensino superior”, e que dada a importância do labor docente, os desafios e possibilidades são inúmeros no cotidiano universitário, o qual não pode ser pensado fora do cenário contemporâneo, marcado por insuficiente investimento do Estado e da união na educação superior pública e nas IES públicas, seja pelas constantes lutas por melhores condições de trabalho e pela melhoria da infraestrutura que atendam às demandas do corpo docente e discente.
Neste contexto, é essencial a luta pela qualidade dos serviços públicos e de educação de qualidade no ensino superior, pois com a crescente luta do capitalismo atual, entre cujos traços se destacam: desemprego estrutural; aumento da pobreza absoluta; perda de poder dos sindicatos; transnacionalização da economia; financeirização do capital; privatização de empresas e de serviços públicos; e conversão da ciência e da tecnologia em agentes de acumulação do capital (Chauí, 2001), o que vem mercantilizando o ensino superior no país.
É nesse quadro que ocorre a formação docente no ensino superior sob a lógica do mercado, a qual se expressa não só no aumento do número de instituições de ensino superior privadas, mas também na privatização interna das IES públicas. Esta é uma das problemáticas que vem ferir a formação docente de qualidade; seja por meio da oferta de cursos pagos, como os mestrados profissionais, no financiamento público indireto para o setor privado, via Programa de Financiamento Estudantil (Fies), por exemplo, na certificação em larga escala realizada pelo SIANES, ou por meio de ações como a expansão do ensino a distância (EaD), no produtivismo que condiciona a política de pesquisa e de pós-graduação e, consequentemente, na intensificação do trabalho docente (Lima, 2013).
Neste caminhar, “[...] a qualidade, da docência é um fator importante que, com frequência, tem sido ignorado pela universidade” (Vasconcellos e Oliveira, 2011, p. 4), portanto, compreende-se que a qualidade da formação docente não é prioridade pelo Governo, e que as universidades são “empurradas’ para considerar uma qualidade de ensino que não dialoga com a formação destes professores, mensurar uma quantidade da produção científica do docente e não a qualidade de seu ensino, de sua metodologia, da didática e da postura coerente para a profissão de formador de professores.
Nesta perspectiva “[...] a docência não entra na medida da produtividade e, portanto, não faz parte da qualidade universitária.” (Chauí, 1999, p. 2). A docência deve ser considerada como centro do compromisso social das universidades. Assim, apresentamos as premissas do que deve ser professor no ensino superior no Brasil, dada a importância do trabalho docente necessário para as universidades públicas, dialogando com este perfil do professor e da sua gestão docente em sala de aula e as variáveis da qualidade, indispensável, para o professor de excelência; onde esta qualidade reflete nas atividades de investigação e de docência em qualquer área, por meio de um corpo docente qualificado que é a possibilidade de garantia de uma boa formação aos estudantes inseridos no espaço universitário, inclusive aos futuros docentes, pois, uma formação de qualidade possibilita melhores aportes teóricos e metodológicos ao futuro profissional deste professor e ao futuro melhor deste país.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Metodologicamente, utilizou-se a abordagem qualitativa exploratória de Minayo (2012), a partir da pesquisa descritiva com fundamentos na Revisão Bibliográfica e na Pesquisa Documental (Bogdan; Biklen, 1994; Severino, 2017). Utilizando-se para o estudo, a base de dados da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação - ANPEd, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, e do Scientific Eletronic Library Online – SciELO; analisados conforme os trabalhos de Bardin (2006), que adota a Análise de Conteúdo como técnica de análise de dados, que pode mensurar esta leitura crítica acerca dos documentos e artigos selecionados que tratam sobre “Formação docente” e “Ensino Superior” no Brasil, em diálogo com os teóricos que discutem/discutiram sobre o tema.
A pesquisa bibliográfica ocorreu por meio da revisão da literatura, que foi preponderante para a execução da escrita do artigo científico e construção do arcabouço teórico-metodológico, conforme ensina Severino (2017, p. 81); “toda documentação bibliográfica destina-se ao registro dos dados de forma e conteúdo de um documento escrito: livro, artigo, capítulo, resenha etc. Ela constitui uma espécie de certidão de identidade desse documento”.
Assim, a análise dos resultados ocorreu, a partir das práticas de leitura e categorização desenvolvidas pelo autor, e pelas premissas prescritas nos estudos de Bardin (2006, p. 38) que vem tratar da Análise de Conteúdo, a qual consiste num “conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens.” Neste contexto, as informações em si constituem apenas dados brutos, que só tiveram sentido ao serem trabalhados de acordo com uma técnica apropriada., especialmente daqueles que assumem disciplinas e atividades destinadas ao ensino superior e à formação docente, como o professor-pesquisador – autor deste constructo.
SER PROFRESSOR NO ENSINO SUPERIOR
As capacidades para o profissional que vai atuar no Ensino Superior mudaram nas últimas décadas; considerando que uma das exigências para este nível, é o professor trabalhar com o ensino e a pesquisa. Assim como, a tarefa de ensinar implica não só em domínio pedagógico ou de conhecimentos específicos, mas também em opções éticas, em professores sensíveis e preocupados com os resultados do ensino de forma interdisciplinar na formação de cidadãos ativos, autônomos e emancipados.
O processo de ensino-aprendizagem no nível superior deve acompanhar os paradigmas da sociedade da informação que vivemos. A docência (ato do ser professor), portanto, deve testemunhar a validade da formação que o professor está fazendo ou fez e testemunhar o perfil profissional que está formando, de forma que a formação que propicia não seja “pró-forma”.
Neste cenário, consideramos que:
O conhecimento é vivo, não-linear, é movimento e, por isso, imprevisível e incerto. Precisa ser refeito e reconfigurado. A conjugação de diferentes variáveis constrói o conhecimento vivo. Essa conjugação de variáveis, diferentes para cada momento, participante ou território – sala de aula, laboratório, campo da prática -, é feita e refeita a cada nova necessidade, problema ou interesse. Não há certezas ou absolutos ou verdades que não possam ser submetidas à reflexão, à dúvida. Questionar, saber formular perguntas faz parte do esclarecimento. Por isso, também não se admite a existência de uma única metodologia do ensino, de uma receita para bem ensinar. É preciso construir e reconstruir cada prática pedagógica. (Leite, 2001, p. 103).
Assim, ser professor no ensino superior é construir sua práxis pedagógica sempre nova a cada aula realizada, mesmo respeitando-se a epistemologia do campo de conhecimento de cada carreira profissional. A incerteza reside em duvidar das certezas tidas como verdades, em pensar e re-significar o conhecimento em cada uma de todas as relações possíveis, dialogando com as teorias e a prática didática.
A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO DO PROFESSOR
É importante perceber a correlação das construções do currículo e das metodologias que são percursos individuais, e ao mesmo tempo, coletivos, assim como a repercussão destes enquanto elementos partícipes da formação do acadêmico para a sua profissionalização. Franco (2001) considera o professor universitário sob alguns pontos de vista, o situacional, o institucional, o político, o profissional e o do avanço do conhecimento, mas em nenhum momento o professor é citado sob o ponto de vista do aluno. Neste sentido, a importância deste trabalho está no cerne do processo de ensino e de aprendizagem da ação didática de cada professor, a dinâmica da aula, uso de recursos pedagógicos, engajamento dos alunos, ou outros focos de observação que sejam eleitos na instituição e pelo próprio docente.
Figura 1 - Diagrama: Trabalho X Professor X Ensino X Aprendizagem = Formação Inteira.
Fonte: Os Autores, 2024.
Assim, é importante para o trabalho do professor, o “feedback” dos alunos, pois o trabalho com observação e feedback é uma estratégia para os professores poderem avaliar o seu trabalho e avaliar os próprios alunos. Neste contexto, o mais importante da ação docente é o processo para uma aprendizagem eficaz que desenvolva o indivíduo em sua totalidade; o que depende de inúmeros fatores, dentre os quais, os mais prementes são: o conhecimento do professor, o afetivo-emocional do estudante, as habilidades e competências, bem como as atitudes e valores, assim como as oportunidades do ambiente escolar, perspectivas futuras para a vida deste estudantes e do seu futuro sucesso profissional, como explica Popkewitz (2011, p. 174), “aquilo que está inscrito no currículo não é apenas informação – a organização do conhecimento corporifica formas particulares de agir, sentir, falar e ‘ver’ o mundo e o ‘eu’”.
Assim, é essencial a interação e os laços afetivos que constituem a interação Professor-Estudante – o que são necessários à aprendizagem e independem da definição social de cada sujeitos; entretanto, nas últimas décadas, a educação superior brasileira tem passado por profundas mudanças, ocasionando um aumento no número de vagas em instituições públicas e privadas e, por conseguinte, a exigência de pessoal no nível superior cada vez mais capacitados.
Com a chegada do mundo tecnológico, a chamada “era informação”, vivemos na Sociedade da Informação – SI - que segundo Pena (2016) se iniciou na última década do século XX e vem tomando maiores proporções ainda durante o século XXI e refere-se diretamente à dinâmica dos fluxos de informações geradas e consumidas pelo mundo.
Vivemos em um contexto marcado pela globalização, pelas novas tecnologias da informação e pela economia competitiva e em alta, dilatam-se as exigências e buscam-se melhorias na forma de construção do conhecimento do futuro profissional que irá atuar nas frentes do mercado de trabalho ou mesmo na pesquisa de novos conhecimentos científicos e na formação de professores, pois “o ser profissional-professor, hoje, exige muito além do que apenas o domínio do conteúdo específico a ser trabalhado. Falamos hoje de economia, de redefinições de espaço, de novas tecnologias da informação e da comunicação”. (Malusá; Feltran, 2003, p. 147).
A partir de um estudo realizado por Schwartz e Bittencourt (2012) pela Universidade Federal Fronteira do Sul – UFSS/RS, sobre o perfil pessoal e profissional do “bom professor” universitário idealizado por docentes e estudantes do Ensino Superior da própria instituição no ano de 2011/2012, apresentamos o gráfico a seguir, onde as qualidades para o perfil do “bom professor” são mensuradas na figura 2.
Figura 2 - Qualidades Profissionais do "Bom Professor Universitário".
Fonte: Schwartz e Bittencourt, 2019.
Além dessas características, o estudo considerou relevante que o professor possua um olhar investigativo em relação aos conteúdos trabalhados em sala de aula, observando também que a competência sobre a disciplina, como também as qualidades pessoais essenciais a este profissional, conforme gráfico 01.
Gráfico 01: Qualidades Pessoais do Professor Universitário.
Fonte: Schwartz e Bittencourt, 2019.
Neste diálogo, ressaltamos como é importante relacionar as qualidades pessoais com as profissionais, observa-se que nos estudos de Schwartz e Bittencourt (2019), as qualidades menos presentes nos professores do Ensino Superior são: humildade, compreensão e simpatia; além de que ao se tratar de professores unibversitários, eles têm a responsabilidade ainda de realizar as formações continuadas e em serviço para àqueles professores que já estão atuando no espaço escolar; entretanto a maneira com que seus alunos percebem sua prática pedagógica em sala de aula enquanto formador de futuros profissionais influencia este profissional em formação também, como mostra a figura do infográfico (Figura 2).
Figura 2 – Infográfico “O Novo Professor: Perfil Antenado”.
Fonte: Revista Veja, 2018.
Este estudo da revista Veja (2018) apresenta este “novo professor” que a sociedade requer. Estes profissionais, mediante combinação de competências com suas características pessoais, as exigências do mercado de trabalho e as expectativas dos estudantes, podem contribuir para a eficácia do processo de ensino e de aprendizagem nas universidades brasileiras. As competências dos docentes influenciam sua forma de atuação, a maneira como são vistos pelos discentes e até mesmo pelas instituições e o próprio aprendizado dos estudantes.
GESTÃO DOCENTE EM SALA DE AULA & SUAS VARIÁVEIS
Tardif (2002) define o saber docente como um construto social já que a atividade docente é uma atividade de interação com outros indivíduos. O professor é o profissional que ao longo de sua formação desenvolve diferentes saberes, inclusive o de gestor. O professor gestor é um ativo participante de uma comunidade profissional de aprendizagem atuando no seu funcionamento, na sua animação e no seu desenvolvimento. Por outro lado, a estrutura e a dinâmica organizacional, atuam na produção de suas práticas profissionais. Há uma concomitância entre o desenvolvimento profissional e o desenvolvimento organizacional, pois: “Ensinar é entrar em numa sala de aula e colocar-se diante de um grupo de alunos, esforçando-se para estabelecer relações e desencadear com eles um processo de formação mediado por uma grande variedade de interações. (Tardif, 2002, p.165).
Então, uma das funções profissionais básicas do professor é participar ativamente da gestão e organização da instituição, contribuindo nas decisões de cunho organizativo, administrativo e pedagógico-didático. Diante das premissas de vários autores, elencamos algumas das várias gestões que o professor atua no processo de ensino-aprendizagem na instituição, conforme Freire (2002), a gestão precisa ser para a autonomia, pois é preciso, que o estudante, desde o princípio de sua experiência formadora, assuma-se também como sujeito da produção do saber e se convença de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Já, Libâneo (2003) defende uma gestão compartilhada do ensino e das competências no ensino superior:
O que se afirma é que o professor medeia a relação ativa do aluno coma matéria, inclusive com os conteúdos próprios de sua disciplina. Está embutida aí a ajuda do professor para o desenvolvimento das competências do pensar, em função do que coloca problemas, pergunta, dialoga, ouve os alunos, ensina-os a argumentar, abre espaço para expressarem seus pensamentos, sentimentos, desejos, de modo que tragam para a aula sua realidade vivida. (Libâneo, 2003,p. 13)
Libâneo (2004) destaca ainda uma gestão participativa de docentes e discentes no espaço escolar, pois ela: “se fundamenta no de autonomia que significa a capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinação de si próprios, isto é, de conduzirem sua própria vida. Sua realização concreta nas instituições é a participação” (Libâneo, 2004, p.80).
Neste diapasão, ainda temos alguns autores que destacam algumas práticas de gestão necessárias, a este docência com qualidade, conforme elenca-se no Quadro 1, a seguir.
Quadro 1: Conceito e Especificidade: Gestão no Espaço Educativo.
Gestão Educacional |
O conceito de gestão resulta de um novo entendimento a respeito da condução dos destinos das organizações, que leva em consideração o todo em relação com as partes e destas entre si, de modo a promover maior efetividade do conjunto (LUCK, 2006, p. 33-34). |
Gestão da Eficiência e da Qualidade |
A cobrança é cada vez maior para que a escola e a universidade formem um profissional generalista, capaz de localizar, acessar, analisar criticamente e usar a informação, assim como de adaptar-se às mudanças rapidamente e também gerar, sozinho ou em grupo, essas mudanças positivas ou as inovações que se fizerem necessárias. (ORTIZ 1999, p.30) |
Gestão Política e Pedagógica |
Chamamos de política porque reflete as opções e escolhas de caminhos e prioridades na formação do cidadão, como membro transformador da sociedade em que vive. Chamamos de pedagógica porque expressa as atividades pedagógicas e didáticas que levam a escola a alcançar os seus objetivos educacionais. (VEIGA, 2002,p.13-14) |
Gestão da Prática Educativa |
Toda tentativa de sistematizar uma prática é certamente frustrante: o ato educativo não é sistematizável. A prática educativa é outra coisa além da ciência e das metodologias. É um complexo de atos e de conhecimentos, de decisões e de atenção que ultrapassam as possibilidades de uma teorização global. (GADOTTI, 2001, p. 08). |
Gestão de Recursos |
Os recursos de que estou falando envolvem: os elementos materiais e conceituais que o homem coloca entre si e a natureza para dominá- la em seu proveito; por outro, os esforços despendidos pelos homens e que precisam ser coordenados a um propósito comum. (PARO, 2003, p.20) |
Fonte: Os Autores, 2024.
É neste sentido, que o professor precisa conciliar os conflitos existentes no espaço da sala de aula nas IES. Neste contexto, escola é o primeiro espaço de convívio em grupos numerosos, onde se aprende a respeitar diferenças, resolver conflitos e tomar decisões em conjunto, saberes essenciais para exercer a cidadania e a vivência política explícita ao se assumir e ao se delegar responsabilidade coletiva, a partir dos diálogos, pois o doecnte ainda precisa resolver a gestão de conteúdos, pois:
É necessário promover grande desmembramento dos conhecimentos reunidos das ciências naturais, a fim de situar a condição humana para colocar em evidência a multidimensionalidade e a complexidade humana, bem integrar a contribuição inestimável das humanidades, não somente a filosofia e a história, mas também a literatura, a poesia, as artes. (Morin, 2000, p. 48).
Portanto, ser professor é um exercício que demanda muito tempo e paciência dos que escolheram traçar essa carreira e, por isso, alguns se destacam, assim como em todas as áreas do mercado. Entretanto a gestão da sala de aula ainda é uma das possibilidades de uma práxis exitosa. Embora cada um tenha características próprias que o legitimam como bom profissional, Vasconcelos (2010) afirma que a formação contínua do professor influencia a formação profissional do aluno, pois a qualidade da docência perpassa pela capacitação, desenvolvimento e a atualização pessoal do professor, considerando que o professor é ao mesmo tempo sujeito e objeto na formação exercida com o discente.
Neste contexto, a dinâmica da gestão da sala de aula e a relação professor/aluno vai para além dos muros da instituição. Inicialmente cabe ressaltar a relevância dos saberes docentes para atuar como professor universitário, pois sua docência inicia desde que foi aluno e experimentou diferentes formas de se relacionar com o saber e as diferentes formas de ensinar de seus professores, logo o professor não atua sozinho em sala. Ele vai estabelecer uma relação com os alunos, tanto no que diz respeito ao conjunto de regras e sanções, como no que diz respeito à incentivação e motivação feita pelo professor para seu aluno ficar mobilizado para a aprendizagem.
Além destas relações professor-aluno, o docente estabelece outras relações com a administração, a gestão, a coordenação, os pais e outros colaboradores da instituição. Assim, a instituição que permite que seus colaboradores além de participarem na construção do processo político e cultural da instituição, o façam com autonomia e liberdade estará contribuindo para que a gestão compartilhada coletiva se concretize. Neste sentido é que a gestão deve dar seus primeiros passos, buscando formas diversas de articular e aproximar conhecimentos e a comunidade.
HABILIDADES E COMPETÊNCIAS INDISPENSÁVEIS PARA SER PROFESSOR
Ainda, dialogando com as autoras Schwartz e Bittencourt (2012) sobre o artigo em que apresentam os resultados de uma pesquisa que buscou investigar o perfil pessoal e profissional do “bom professor” universitário idealizado por docentes e estudantes do Ensino Superior em uma instituição federal, podemos elencar as qualidades pessoais e profissionais discutidas sobre este perfil, assim como respaldar com outros autores que tratam desta temática.
Segundo Masseto (2003), a ênfase no processo de aprendizagem traz consequências sérias e de grande repercussão desde a organização curricular até à metodologia de aula; neste sentido dentre as competências profissionais pedagógicas, o autor destaca que: a sala de aula é o ambiente de aprendizagem e de trabalho profissional do docente, a aula deve ser concebida como um grupo de pessoas buscando objetivos comuns; compreendida como (con) vivência humana e de relações pedagógicas.
Neste contexto, Pombo (2017), em suas pesquisas sobre o perfil do professor docente no ensino superior, relata sobre a importância do planejamento e da participação dos alunos – o qual é o diferencial – quando as aulas são de forma somente expositivas.
Gráfico 03: Perfil Docente No Ensino Superior.
Fonte: Pombo, L..(2017). Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/14482/>
Neste contexto, em diálogo com os autores já citados, uma das qualidades para o professor é o domínio em sala de aula, onde a aula atua como um espaço de relações pedagógicas: espaço físico da aula, redefinição dos objetivos da própria aula, implantação de técnicas e metodologias participativas, construção do processo de avaliação e a inserção de outros ambientes de aprendizagem, novas tecnologias, pesquisas de campo, dentre outras metodologias. Assim elencamos algumas características essenciais a este profissional para o Ensino Superior: bom humor, bom senso, coerência, comunicação e competência com a disciplina; capacidade de trabalhar em grupo e de escutar o outro, comprometimento, compreensão, democracia; empatia, humildade, experiência profissional, flexibilidade, humildade, inovação e organização; responsabilidade, preparação, pontualidade, senso de justiça e empatia.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Concluindo o inacabado conforme as palavras de Freire (2007, p. 259)
O aprendizado do ensinante ao ensinar não se dá necessariamente através da retificação que o aprendiz lhe faça de erros cometidos. O aprendizado do ensinante ao ensinar se verifica à medida em que o ensinante, humilde, aberto, se ache permanentemente disponível a repensar o pensado, rever-se em suas posições; em que procura envolver-se com a curiosidade dos alunos e dos diferentes caminhos e veredas, que ela os faz percorrer. Alguns desses caminhos e algumas dessas veredas, que a curiosidade às vezes quase virgem dos alunos percorre, estão grávidas de sugestões, de perguntas que não foram percebidas antes pelo ensinante.
É por estas concepções que se quer formar professores, sejam os que estará atuando na Educação Básica, sejam os docentes do Ensino Superior; pois o perfil do professor deve ser este profissional permanentemente em formação, pois como afirma Libâneo (2004), a sociedade aspira por uma instituição escolar capaz de garantir a todos formação cultural e científica para a vida pessoal, profissional e cidadã, propiciando o estabelecimento de uma relação autônoma, crítica e construtiva com a cultura em suas várias manifestações, vislumbrando a formação de cidadãos que tenham participação em todas as esferas da vida social.
Assim, a partir da revisão bibliográfica e da pesquisa documental sobre os desafios e possibilidades para “ser professor” no ensino superior, observou-se que estudos anteriores já apresentavam um modelo deste profissional com as requeridas e devidas competências necessárias para atuar nas universidades. A partir deste modelo é que foram analisadas algumas destas competências exercidas pelos professores universitários. Constatou-se que os docentes exercem as competências denominadas capacidade de inovação e intervenção, formação continuada e ética. Entretanto, o diálogo, a empatia e a humildade, muitas vezes, são deixadas a parte deste processo de construção do conhecimento e formação de novos professores.
Neste contexto, as metodologias inovadoras, a relação professor/aluno, a competência do professor e a infraestrutura, equipamento e condições físicas da escola são os fatores preponderantes para o sucesso do processo de ensino- aprendizagem e do próprio professor, a partir de suas atitudes conforme atitudes e ações que desvele uma educação qualitativa e um profissional de sucesso, envolto com a formação continuada sempre para formar novos professores com alegria pela docência que contribui à formação digna e humana de pessoas.
Desta forma, há ainda um grande comprometimento dos docentes com o trabalho que realizam no ensino superior, envolvendo o que as universidades prezam: o ensino, a pesquisa e a extensão, mas as relações humanas precisam estar imbrincadas neste processo. Espera-se que este estudo estimule outras pesquisas que aprofundem a discussão acerca das competências dos docentes universitários, de mapear este perfil de professor do ensino superior, já que boa parte das investigações até então, muitas pesquisas são voltadas para os professores da Educação Básica. Sugere-se novos estudos que visem à análise da relação entre as competências exercidas e o processo de ensino aprendizagem, principalmente sob a ótica dos estudantes – futuros profissionais em formação.
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